Passageiro sentado no assento do corredor de avião com meia de compressão nas pernas, movimentando os pés para estimular a circulação

Viajar de avião é quase sempre sinônimo de expectativa boa: férias merecidas, reencontrar pessoas queridas ou fechar aquele contrato importante a trabalho. Só que, como toda aventura, existe um pequeno risco por trás das nuvens: a conhecida trombose dos viajantes, ou, seu nome antigo, a Síndrome da Classe Econômica. Por ser rara, muita gente acha que nunca vai passar por isso. Mas a verdade é que o problema pode aparecer até horas depois do pouso, quando ninguém mais está pensando no tema.

O que acontece com as pernas durante o voo?

Eu explico: quando estamos sentados por muito tempo sem mexer os pés, nossas pernas ficam quase que “adormecidas”. O sangue, que normalmente é bombeado do coração para os membros, precisa voltar de volta para o pulmão e o coração. Acontece que a panturrilha é quem faz esse trabalho de “bomba”. Se ela não se mexe, a circulação diminui muito e, assim, crescem as chances de formar coágulos nas veias, principalmente nas pernas. “Trombose é o nome dado quando um desses coágulos bloqueia o fluxo de sangue em uma veia.”

Sua panturrilha é o coração das pernas. Mexê-la é evitar problemas.

Esse bloqueio pode causar dor, geralmente na panturrilha, e um inchaço que não vai embora fácil. E tem mais: às vezes, o perigo está em o coágulo se soltar e viajar até o pulmão, causando uma embolia pulmonar. Aí, pode dar dor no peito, tosse, falta de ar e, em casos extremos, risco de morte súbita. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o Brasil chega a registrar 165 internações diárias por trombose – ou seja, é mais comum do que imaginamos.

Por que viajar de avião aumenta o risco de trombose?

Em voos longos, 1 em cada 200 pessoas pode desenvolver algum grau de trombose (fonte). O principal motivo é a imobilidade prolongada: ficamos horas sentados, com pouco espaço. A cabine é seca, o que facilita a desidratação. Para completar, é comum bebermos pouca água, tomar um vinho para relaxar ou até um tranquilizante para dormir, hábitos que só pioram.

A imobilidade diminui a velocidade do sangue nas veias e aumenta a viscosidade, favorecendo o aparecimento dos coágulos. Os fatores que mais elevam o risco são:

  • Uso de anticoncepcionais ou terapia hormonal
  • Pessoas com câncer
  • Histórico de trombose ou trombofilias
  • Imobilização recente por fratura ou deficiência física
  • Varizes significativas

Como saber se estou em risco?

Em relação a prevenção de trombose, o mais comum é subestimarmos os riscos. Mas, para quem está nesse grupo, todo cuidado é pouco. Se você já teve trombose, está tratando alguma doença, usa hormônios ou tem varizes salientes, converse antes com especialista. Aqui em Recife, na Clínica Catarina Almeida, analisamos diariamente casos que poderiam ter sido prevenidos com pequenas mudanças comportamentais.

Se quiser entender as diferenças entre flebite e trombose venosa profunda, recomendo dar uma olhada no artigo sobre flebite versus trombose. É direto ao ponto.

Sintomas: o que é típico em uma trombose?

Com minha experiência, eu arrisco dizer que a maioria só percebe depois de passar horas com aquela dor teimosa e o inchaço que não cede. O sintoma clássico é uma dor diferente, profunda, geralmente localizada na panturrilha ou coxa, acompanhada de inchaço persistente. Em alguns casos, a perna fica avermelhada, quente e dolorida ao toque. Se o inchaço aumentar ou aparecer dor no peito, procure um serviço médico imediatamente.

Como evitar coágulos durante viagens de avião?

Ninguém quer passar a viagem preocupado. Por isso, separei dicas simples, testadas, e que fazem bem para todos, mesmo quem não tem nenhum fator de risco:

  1. Beba água regularmente, A cabine do avião é seca e desidrata. Mantenha a garrafinha por perto e beba mesmo sem sentir sede.
  2. Evite álcool e café em excesso, Eles favorecem a desidratação.
  3. Evite remédios para dormir durante o voo, Quando dormimos profundamente, nos mexemos menos, o que aumenta o risco.
  4. Mexa as pernas e os pés, Faço questão de recomendar: a cada hora, movimente os tornozelos, faça movimentos circulares e flexione os pés, mesmo sentado.
  5. Caminhe pelo corredor a cada duas horas, Quando possível, levante-se e caminhe. Mesmo dois ou três minutos já fazem diferença.
  6. Escolha assentos no corredor, Estatística curiosa: quem vai na janela, normalmente levanta metade das vezes e tende a esquecer das pernas.
  7. Use roupas confortáveis, folgadas e prefira sapatos fáceis de tirar.
  8. Meias elásticas leves, não precisam de receita, mas só funcionam se usadas do jeito correto. Se não sabe o tamanho, teste antes. Se aperta, pode piorar tudo.
  9. Converse com cirurgião vascular se tem algum fator agravante. Em alguns casos, o médico pode recomendar meias especiais de alta compressão ou até um anticoagulante temporário.

Não custa repetir, porque é fácil esquecer: “Mexer as pernas é a dica de ouro em voos longos” (matéria do UOL VivaBem). Parece simples, mas muda tudo.

Meias elásticas: qualquer um pode usar?

Essa dúvida é frequente. Meias elásticas leves podem ajudar, mas precisam ser do tamanho certo e colocadas antes da viagem, com a perna ainda sem inchaço. Se têm fatores agravantes, é preciso avaliação médica para definir o tipo e a pressão da meia. Errar nisso pode dar problema: se usar meia pequena, a pressão faz mal. Meia folgada? Não serve para nada.

Prevenção começa antes de embarcar.

O Ministério da Saúde destaca que a escolha da meia, assim como a indicação de anticoagulantes, é sempre individualizada, principalmente se o paciente já tem histórico de trombose ou outros fatores de risco.

Caso queira aprofundar em rotinas para evitar pernas inchadas no dia a dia, recomendo também o conteúdo especial com cinco dicas para pernas inchadas, que vale até fora dos voos.

Quais são outros truques úteis?

Depois de anos atendendo pacientes de toda Recife e Pernambuco pela Clínica Catarina Almeida, percebi que pequenas atitudes mudam a história das pessoas.

  • Deixe a bagagem de mão sob o assento à sua frente livre para que suas pernas tenham espaço.
  • Coloque um alarme suave no relógio para lembrar de se mexer.
  • Tire os sapatos de vez em quando e movimente bem os pés.
  • Observe se as meias estão bem ajustadas durante o voo.

As dicas acima estão resumidas nas recomendações do UOL VivaBem, reforçadas pelo Ministério da Saúde, e fazem mesmo diferença no seu bem-estar.

Pernas de passageiro com meias elásticas sentado em avião Lembrando que pessoas com fatores de risco adicionais devem conversar antes com um vascular experiente. A equipe da Clínica Catarina Almeida, em Recife, pode orientar sobre manejo de trombose venosa profunda, uso correto de meias e prevenção personalizada.

Conclusão

Viajar é pra ser leve – não precisa de preocupação a mais. Com um pouco de atenção, dá para evitar sustos e deixar que cada voo traga só histórias boas. Se tem dúvida ou sente que está no grupo de risco, não hesite: procure orientação correta, invista na sua saúde antes do embarque e cuide das suas pernas – agora e sempre. Em Recife e Pernambuco, a Clínica Catarina Almeida está pronta para tirar suas dúvidas e avaliar suas necessidades. Faça sua viagem contar só alegrias. Cuidar da circulação é cuidar de você.

Perguntas frequentes sobre trombose em viagens de avião

O que é trombose em viagens de avião?

Trombose em viagens de avião é a formação de coágulos sanguíneos nas veias, geralmente das pernas, causada pelo longo tempo sentado e imobilidade durante o voo, agravada por fatores como desidratação e condições médicas pré-existentes. Ela pode acontecer até horas após o desembarque.

Quais são os sintomas de trombose?

Os sintomas mais comuns incluem dor profunda na panturrilha ou coxa, inchaço persistente, vermelhidão e sensação de calor na perna afetada. Se ocorrer dor no peito, falta de ar ou tosse, pode ser sinal de embolia pulmonar, que é situação de emergência.

Como evitar coágulos durante o voo?

Para evitar coágulos, mantenha-se hidratado, evite álcool e remédios para dormir, movimente as pernas frequentemente e, se possível, caminhe pelo corredor a cada duas horas. Meias elásticas leves podem ajudar, se usadas corretamente. Pessoas com maior risco devem conversar com um cirurgião vascular antes das viagens.

Quem tem mais risco de trombose viajando?

O risco aumenta em quem faz uso de hormônios (anticoncepcional), pessoas com câncer, portadores de trombofilias, quem teve trombose antes ou tem varizes importantes, usuários de cadeiras de rodas ou quem precisou ficar imobilizado por fratura recente.

O que fazer se suspeitar de trombose?

Procure atendimento médico logo que possível. Não massageie a perna e evite esforços. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar complicações graves. Para dúvidas ou suporte após a viagem, vale buscar orientação em serviços especializados em prevenção como a Clínica Catarina Almeida.

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Catarina Almeida

Sobre o Autor

Catarina Almeida

Dra. Catarina Coelho de Almeida é médica formada pela Universidade de Pernambuco, especialista em Cirurgia Vascular. Com sólida trajetória em hospitais de referência no Recife, dedica-se ao tratamento moderno das varizes, priorizando tecnologia, segurança e bem-estar dos pacientes. Mestre em Cirurgia pela UFPE, atua com paixão e compromisso, proporcionando aos pacientes de Pernambuco técnicas inovadoras e recuperação rápida, sem abrir mão da excelência médica e do cuidado humanizado.

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