Comparação de hiperpigmentação em pele de pernas após tratamentos estéticos para varizes, mostrando áreas com diferentes tons de pigmentação em alta resolução

A busca por pernas mais bonitas e livres de veias aparentes leva muitas pessoas, principalmente mulheres, a procurarem tratamentos para as veias reticulares dos membros inferiores. Um dos maiores receios nessa jornada é a possibilidade de manchas escuras na pele após os procedimentos. A hiperpigmentação ou manchas, de fato, está entre as reclamações mais comuns nos consultórios, já que afeta não apenas o resultado estético, mas também a autoestima de quem convive com essas marcas.

Pensando nesse cenário, um estudo recente decidiu comparar duas técnicas populares: crio-laser crio-escleroterapia (CLaCS) e a escleroterapia com espuma de polidocanol a 0,5%. O objetivo era descobrir qual delas causa mais – ou menos – manchas, medindo tanto a frequência quanto a intensidade da pigmentação sessenta dias após uma sessão única.


Como foi feita a comparação entre CLaCS e espuma?

O estudo adotou um modelo aberto, prospectivo, randomizado e controlado. Parece coisa de laboratório, mas, na verdade, foi feito em uma clínica privada, com pacientes reais, entre agosto e setembro de 2021. Participaram mulheres voluntárias maiores de 18 anos, todas incomodadas esteticamente por veias reticulares bilaterais (aquelas azuladas, visíveis, mas não muito grossas), com diâmetro máximo de 2,2 mm.

  • A cada participante, foi realizado o tratamento com CLaCS em uma perna e, na outra, a escleroterapia com espuma polidocanol 0,5%.
  • Ambos os métodos foram feitos no mesmo dia, com a intenção de garantir igualdade de condições na comparação.
  • A análise foi cega, ou seja, quem avaliou o resultado das pigmentações não sabia qual técnica havia sido aplicada em cada membro.

O desfecho principal era a presença de pigmentação pós-tratamento. Para medir isso, foram usados dois métodos:

  • Avaliação fotográfica padrãoizada, vista por especialistas
  • Medição da cor pela diferença objetiva (ΔE) com uso de colorímetro de precisão

Além disso, observou-se a satisfação estética das pacientes, quanto as veias diminuíram de diâmetro e a ocorrência de eventos adversos como dor, hematomas, microtrombos e outros.

Quem participou do estudo?

A amostra foi composta por 23 mulheres, totalizando 46 pernas avaliadas. Infelizmente, duas participantes desistiram antes do final, fato relativamente comum em estudos deste tipo, mas que não comprometeu o resultado final.

A hiperpigmentação preocupa, mas nem sempre altera a satisfação com o resultado.

O que foi observado sobre hiperpigmentação?

A grande dúvida permanece: afinal, qual método escurece mais a pele? Os dados revelaram:

  • Incidência de hipercromia (manchas escuras):
  • Pela avaliação das fotos: 7 membros tratados com CLaCS tiveram hiperpigmentação, contra 5 tratados com espuma (P = 0,8906).
  • Pela colorimetria: 9 membros no grupo CLaCS, 13 no grupo espuma (P = 0,1445).

Esses valores mostram nenhuma diferença estatisticamente significativa entre as técnicas quanto ao número de pernas manchadas após o tratamento.

Mas e a intensidade da mancha?

Este é outro ponto essencial, já que uma pigmentação leve pode passar despercebida, enquanto uma mais intensa pode realmente incomodar.

  • A intensidade medida pelo colorímetro foi, em média, menor no grupo CLaCS (ΔE médio de 1,30) do que no grupo da espuma (ΔE médio de 1,44), com uma diferença estatística (P = 0,02735).
CLaCS mancha menos intensamente, ainda que a chance de manchar seja similar à espuma.

Outros resultados avaliados

A redução do diâmetro das veias foi semelhante entre os grupos. Ambos mostraram uma melhora substancial na satisfação estética das pacientes em relação ao aspecto das pernas após o tratamento.

No grupo CLaCS, observaram-se alguns benefícios extras:

  • Menor intensidade da descoloração (como já visto);
  • Menos aparecimento de microtrombos e hematomas;
  • Menor volume de substância esclerosante utilizado.

Nenhum evento adverso grave foi notificado em nenhum dos grupos – um alívio para quem teme complicações.

Sobre a quantidade de esclerosante, é interessante notar: sempre que se reduz a quantidade de substância química – e, consequentemente, o risco de efeitos locais indesejados – há uma tendência de o corpo responder melhor. Claro, experiência clínica nem sempre bate com percentuais, mas nesse estudo as coisas caminharam juntas.

O que dizem outras pesquisas e referências

Os resultados deste estudo estão em alinhamento com publicações anteriores que avaliaram tratamentos para telangiectasias, o uso do polidocanol, bem como a classificação CEAP para doenças venosas. Também reforçam avanços já vistos na escleroterapia, sobretudo na comparação de diferentes técnicas e produtos.

Mesmo que alguns trabalhos apontem pequenas variações de incidência entre técnicas, várias pesquisas recomendam atenção ao perfil do paciente e à escolha dos melhores recursos durante o procedimento. O consenso parece ser: ter acompanhamento, escolher profissionais capacitados e seguir as orientações pós-procedimento faz toda a diferença no resultado final.

Conclusão

A comparação entre CLaCS e espuma de polidocanol 0,5% mostrou que ambas as técnicas apresentam consequências semelhantes quanto à incidência de hiperpigmentação pós-tratamento, tanto na avaliação visual como na objetiva. Porém, a intensidade da pigmentação foi discretamente menor no grupo CLaCS, o que pode ser considerado um diferencial para pacientes preocupados com manchas visíveis, embora essa diferença seja sutil.

Além disso, o CLaCS demonstrou gerar menos microtrombos, hematomas e necessidade de esclerosante, sem sacrificar a melhora estética ou os resultados quanto ao calibre das veias. Nenhum grupo apresentou eventos adversos graves, e a satisfação estética foi alta em ambos.

CLaCS tende a manchar menos, mas ambos são seguros e melhoram a aparência das pernas.

Portanto, na hora de decidir entre os métodos, conversar abertamente com o profissional, levar em conta seu tipo de pele e histórico individual será sempre fundamental para um resultado positivo e tranquilo.

Perguntas frequentes

O que é hiperpigmentação pós-tratamento?

A hiperpigmentação pós-tratamento é o escurecimento da pele que pode ocorrer na área tratada após procedimentos para veias, como a escleroterapia ou o laser. Elas surgem porque o sangue da veia tratada pode extravasar e deixar depósitos de ferro (hemossiderina) na pele, formando manchas. Normalmente, costumam clarear ao longo do tempo, mas, em alguns casos, podem demorar meses para desaparecer completamente.

CLaCS ou espuma: qual escurece mais a pele?

Com base no estudo apresentado, não houve diferença significativa na quantidade de manchas escuras entre as técnicas. Contudo, a intensidade das manchas foi, em média, um pouco menor nas áreas tratadas com CLaCS do que com espuma. Ou seja, se houver hiperpigmentação, tende a ser mais suave após o CLaCS.

Como evitar manchas após CLaCS ou espuma?

Algumas dicas ajudam a reduzir o risco de hiperpigmentação: seguir rigorosamente as orientações do especialista, evitar exposição ao sol direto na área tratada, usar protetor solar, não manipular crostas ou hematomas e manter a pele hidratada. O acompanhamento pós-procedimento também é indispensável para identificar e tratar logo qualquer alteração.

Quanto tempo a hiperpigmentação dura?

O tempo de duração varia de pessoa para pessoa. Geralmente, as manchas clareiam entre 2 e 6 meses, podendo persistir mais em alguns casos. Boa parte das pacientes percebe melhora gradual sem a necessidade de outros tratamentos, mas fatores como predisposição da pele, profundidade das veias e resposta inflamatória influenciam bastante nesse tempo.

Vale a pena escolher CLaCS para evitar manchas?

Se a preocupação principal for a intensidade das manchas, sim, o CLaCS mostrou uma leve vantagem, já que tende a causar pigmentação menos intensa. Mas a escolha do procedimento deve considerar todo o contexto: perfil da paciente, tipo e localização das veias e a expectativa em relação ao resultado. O diálogo aberto com o profissional é determinante para selecionar o melhor tratamento para seu caso.

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Catarina Almeida

Sobre o Autor

Catarina Almeida

Dra. Catarina Coelho de Almeida é médica formada pela Universidade de Pernambuco, especialista em Cirurgia Vascular. Com sólida trajetória em hospitais de referência no Recife, dedica-se ao tratamento moderno das varizes, priorizando tecnologia, segurança e bem-estar dos pacientes. Mestre em Cirurgia pela UFPE, atua com paixão e compromisso, proporcionando aos pacientes de Pernambuco técnicas inovadoras e recuperação rápida, sem abrir mão da excelência médica e do cuidado humanizado.

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